sábado, 13 de junho de 2015

Entre roupas velhas e partidas

Sabe aquele dia que você acorda e se força a arrumar o guarda-roupa? Não dá mais para conviver com aquela bagunça. Tem dias que você quer muito uma roupa e não encontra e outros dias em que você encontra coisas que nem sabia que tinha. Bom, eu decidi fazer isso na minha vida também. Arrumar o guarda-roupa.
É um exercício bem interessante. Você precisa tirar tudo de dentro, sabe. E começar a organizar. Todas as pessoas que já passaram por sua vida e que tem um lugar no seu armário de amizades, namoros e outros relacionamentos sem classificação. Afinal, sempre tem aquela roupa que não se encaixa na gaveta de camisetas e nem das calças. Aquela roupa que você não sabe definir, mas ela ta ali faz tempo. O problema é descobrir se ela merece ou não ser guardada. E é exatamente dessa roupa que eu quero falar hoje.
Uma roupa que deixou muitas memórias boas e também várias ruins. E quando é a hora certa para se despedir dela? Talvez somente pelo fato de que estou pensando sobre doar para alguém que precisa e tira-la de vez da minha vida, pode ser um indício de que eu devo deixar partir.
Partir. Essa é uma palavra simples, mas difícil de conjugar. Eu parto, tu partes, ele parte, nós partimos.  Partir é um verbo que deixa subentendido que estamos deixando alguma coisa para trás. E não olhar para trás é complicado, não? Para algumas pessoas pode não ser mesmo. Todavia para mim, é. E como é.
Por toda nossa vida estamos partindo. Estamos deixando o ventre de nossas mães e chegando a um mundo completamente diferente, insano e maravilhoso. Depois estamos partindo de casa para frequentar a escola diariamente. É uma partida, sim. Você está deixando de ser aquela criança que só brinca com os vizinhos, irmãos e primos para se tornar um ser humano sociável… ou não, muitos enfrentam dificuldades sobre essa questão.
Enfim, depois vem a faculdade, o primeiro emprego, o primeiro apartamento e assim vai. Partir – Mover-se para outro lugar. Pôr-se a caminho; seguir viagem. Sair. Principiar, ter origem. Prosseguir. Verbo transitivo que transita realmente.
Entre roupas velhas e partidas eu vou me perguntando a importância que algumas pessoas tomam em nossas vidas. Algumas são tão passageiras que não nos importamos nem em curtir um ou dois links que elas postam no facebook. Porém existem aquelas que se tornam realmente especiais. Aquelas que fazem você escrever textos e poemas sobre como elas foram importantes e significantes em sua vida.
O que me incomoda é o fato de repente elas sumirem, irem, partirem. E então você fica com todos os textos e todas as lembranças e não tem a mínima ideia do que fazer com eles. Esquecer? Deixar passar? Doar a roupa que não consegue saber se vai ou não usar? Difícil fazer isso.
Talvez a gente deva fazer o mesmo. Talvez devêssemos partir, seguir viagem, sair. Só assim encontramos novas roupas, novas pessoas, novas preocupações e escreveremos novos textos.

Texto retirado do site Uma boa dose e escrito por Juliana Spinardi 

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