terça-feira, 26 de maio de 2015

Viajar só não é viajar sozinho

Como é bom ter coragem para conhecer o mundo sozinha. Você vai cair em ciladas, pagar guias de turismo a toa e ficar desconfiada de taxistas. Vai fazer o download do aplicativo tradutor do Google e usar quarenta vezes por dias. Aprender a dizer “saúde” em sete línguas e beber muita cerveja quente. E isso é só o começo. Decidir se jogar no mundo e morar por três meses ou visitar apenas por vinte dias um país totalmente desconhecido é para poucas. Sozinha você manda tudo e decide tudo sem precisar negociar com ninguém. Estar acompanhada de quem a gente gosta é uma delícia, mas você já experimentou passar alguns dias com você mesma? Entrar no avião sozinha e imaginar e refazer todos os planos na sua mente. Aquele seu sonho de conhecer Berlim ou Portugal precisa sair do papel. Esqueça os preconceitos, não espere por companhia e vá.
Prepare-se para ouvir a música “Ai se eu te pego” ao menos três vezes (ela ainda faz muito sucesso). Porque mesmo que se você não goste, será intimidada a ensinar a coreografia para o seu amigo canadense ou espanhol. Também se prepare para escutar duas ou mais línguas na mesa do pub. Faça amizade com os brasileiros, mas peça que eles falem com você na língua que estão aprendendo juntos.
Para uma viagem curta, valorize as dicas dos amigos que já estiveram lá. Principalmente dos mais próximos, que compartilham os mesmos gostos que você. Vá ao museu, ao parque e a sede do governo. Use o transporte publico. Abuse do bom transporte público.
A maior vantagem de estar sozinha é poder fazer tudo no seu tempo, do seu jeito. Se sentir vontade de observar um quadro por vinte minutos, sente no banquinho em frente e fique. Se quiser passar três horas no brechó sem ninguém para te apressar, aproveite. Todos os seus segundos em uma viagem são únicos.
“Quem converte nem sempre se diverte”. Pensar duas vezes antes de comprar três calças e dois vestidos na loja em promoção equivale a um final de semana em uma cidade próxima. Aos poucos você aprende que é melhor se deslumbrar por uma vista incrível do que por um casaco de marca. Receber uma mensagem da sua amiga francesa ou japonesa chamando para ir a uma festa pode te render uma noite louca e maravilhosa – quem sabe até um casamento. Porque viajar também te ensina outra coisa muito importante: o amor é universal, mas visto de maneiras muito diferentes. Em alguma língua e país você pode achar o seu. Ou vários. Não se esqueça do seguro saúde. Faz falta ter alguém do lado para te ajudar com uma eventual “dor de barriga”. Não se assuste. É nessas horas que você vai aprender a se virar e voltar muito mais madura. E cheia de histórias para contar.
Engula a saudade. É ela que te diz baixinho no ouvido: “ei, me esquece, sai de casa e vai se divertir”. A saudade parece maldosa, mas te empurra para frente. Nunca deixe de viajar sozinha porque te falam que é perigoso ou que você não dá conta. Você não está só, você tem o mundo e você mesma. Além da possibilidade de conhecer muita gente bacana. Eu tenho certeza que você sabe se virar. Aponta uma direção no mapa e vai.




Texto escrito por Marcella Brafman


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