quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Porque se deve viajar enquanto é jovem !!!

Esta é a tradução do texto de Jeff Coins, publicado originalmente no site Converge Magazine. 

“Enquanto escrevo isso, estou voando”. É uma coisa incrível: estar suspenso no ar, se movendo a 2000 milhas por hora – enquanto leio uma revista. Incrível, não é?!

Acordei três da manhã. Bem antes de o sol nascer, éramos 30 pessoas, lotamos uma van e viajamos durante duas horas para o aeroporto de San Juan. Nossa viagem havia terminado. Era hora de ir para casa. Mas estávamos transformados.
Enquanto me sento, esperando a aeromoça trazer o meu ginger ale, estou pensando sobre porque viajo. Na noite anterior, eu me lembrei porque faço isso – porque acredito que viajar faz valer a pena todos os desafios.
Estava fazendo uma viagem de missão em Porto Rico. Depois de um dia de trabalho, enquanto dirigíamos de volta para a igreja, uma das jovens levantou uma questão:
Você acha que eu deveria fazer faculdade ou me mudar para África?
Não acho que ela estava falando comigo. Na realidade, tenho certeza que ela não estava. Mas isso não me impediu de dar minha opinião.
Eu disse para ela viajar. Sem desculpas. Apenas vá.
Ela suspirou, balançou a cabeça e disse: “É, mas…”
Eu já escutei esta desculpa antes e não a aceito. Conheço muito bem o “É, mas…”. Já o pronunciei muitas vezes. Estas palavras parecem inocentes, mas são fatais.
É, mas…
… E as dívidas?… E meu trabalho?… E meu namorado?
Essas frases são letais. Parece que temos as melhores das intenções, quando, na verdade, estamos muito assustados para fazer o que devemos fazer. “É, mas…” é uma permissão para sermos covardes, parecendo nobres. A maioria das pessoas que esperam para viajar o mundo, nunca o fazem. Por outro lado, muitas pessoas que esperaram para fazer uma pós-graduação ou conquistar um emprego estável, conseguiram após terem viajado.

Isso me fez lembrar o Dr. Eisenhautz em um vestiário masculino.
Dr. Eisenhautz era um professor alemão da minha faculdade. Eu não estudei alemão, mas era um aluno de intercâmbio, então nós nos conhecíamos. Isso explica porque ele sentiu a necessidade de puxar conversa comigo às seis da manhã.Eu estava prestes a começar a malhar e ele havia terminado. Estávamos no vestiário masculino. E foi, pra dizer o mínimo, um pouco estranho – dois caras barbudos conversando enquanto estavam pelados.
“Você vem sempre aqui?” ele perguntou. Eu poderia ter dado risada.
“Hum, é, acho que sim”, eu disse, enquanto limpava a remela dos meus olhos.
“Isso é ótimo”, ele disse. “Ótimo”.
Eu suspirei, mas não estava prestando atenção. Ele já havia tomado sua dose de adrenalina e eu ainda esperava pela minha. De alguma forma, mencionei que eu e um amigo estávamos fazendo academia há um tempo, três vezes por semana.
“Ótimo”, Dr Eisenhautz repetiu. E então, ele soltou uma das coisas mais profundas que eu já escutie na minha vida:
“Os hábitos que se formam na juventude estarão com você para o resto de sua vida”
Virei a cabeça, arregalei os olhos e olhei para ele, deixando as suas palavras mergulharem em minha mente. Ele acenou com a cabeça, disse um tchau rouco e saiu. Eu estava surpreso.
Essas palavras ecoaram em minha mente pelo o resto do dia. Mesmo após anos, elas ainda me assombram. É verdade – os hábitos que você forma na sua juventude, provavelmente, irão te acompanhar para o resto de sua existência.
Já vi isso acontecer repetidamente. Meus amigos que bebiam demais na faculdade, bebem em maior quantidade hoje. Antes, nós chamávamos isso de “curtir”. Agora é um nome menos glamuroso: alcoolismo. Tenho outros exemplos. O pessoal que transava sem cuidado com várias pessoas, hoje tem bebês e casamentos infiéis. Aqueles sem ambição, continuam nos mesmos trabalhos sem graça.
“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente”, Aristóteles disse uma vez. Eu não quero parecer muito melancólico e acredito que sua vida pode se transformar a qualquer momento, mas há uma lição importante nesta frase: a vida é o resultado de hábitos intencionais. Então, decidi fazer as coisas que eram mais importantes para mim em primeiro lugar, não por último.
Depois de me formar na faculdade, entrei para uma banda e viajamos pela América do Norte durante nove meses. Tocamos em escolas, igrejas e prisões. Até passamos uma mês inteiro em Taiwan fazendo uma turnê (éramos famosos).
Por conta do nosso baixo orçamento, costumávamos ficar na casa de algumas pessoas. Durante o jantar ou em alguma conversa no final da noite, sempre surgia à declaração que eu temia. Como estávamos conversando sobre a vida na estrada – os desafios de longos dias enfiados em uma van – alguns adultos bem-intencionados diziam “É ótimo que vocês façam isso… enquanto ainda são jovens”.
Ai. Essas últimas palavras – enquanto vocês ainda são jovens – parecia que esmagavam limões nos meus olhos (aliás, essa é uma sensação que eu já senti). Elas cheiravam a lamentação de meia-idade. Odiava aquela frase.
Eu queria responder,
“Não, isso NÃO é ótimo enquanto ainda sou jovem! Isso é ótimo pelo resto da minha vida! Vocês não entendem. Isso não é algo que estou fazendo para matar o tédio. Isso é o meu chamado! Minha vida! Eu não quero o que vocês querem. Serei sempre um aventureiro.”
Em um ano, entrarei na casa dos trinta. Hoje percebo como eu estava errado. Apesar da conotação negativa daquelas palavras, havia sabedoria nelas.
Quando envelhecemos, a vida nos cobra. Independente do que fazemos, sempre teremos mais responsabilidades, dívidas, mais obrigações. Isso  não é só ruim. Na verdade, em muitos casos isso é muito bom. Significa que você está influenciando pessoas, deixando um legado.A juventude é um momento de fortalecimento. Você começa a fazer o que quiser. Quando amadurecer e ganhar novas responsabilidades, você tem que ser muito sábio e não perder de vista o que é realmente importante. A melhor maneira de fazer isso é focar e investir em sua vida, para que você possa definir quem será em seus últimos anos.
Eu escolhi viajar. Não para ser um turista, mas para descobrir a beleza da vida – para me lembrar de que não estou completo.
Não há nada como andar de bicicleta em frente à Golden Gate Bridge ou ver o Coliseu ao pôr do sol. Eu gostaria de poder pintar um quadro para você saber como são incríveis as montanhas da Guatemala, ou como é demais aparecer em um programa da TV italiana. Mesmo as fotografias que tenho de Niagara Falls e nos campos do meio-oeste americano, não fazem justiça a essas experiências. Eu não posso te dizer quão bonito é o sul da Espanha visto a partir da janela de um trem, você tem que experimentar. Só vendo para acreditar.
Enquanto você é jovem, deve viajar. Você deve ter tempo para ver o mundo e experimentar a plenitude da vida. Passe uma tarde sentado em frente ao Michelangelo. Ande pelas ruas de Paris. Escale o Kilimanjaro. Percorra a trilha dos Apalaches. Veja a Grande Muralha da China. Quebre o seu coração pelos “campos de morte” do Camboja. Nade através da Grande Barreira de Corais. Estes são os momentos que definem o resto de sua vida, eles são as experiências que ficarão com você para sempre.
Viajar muda a sua vida como poucas coisas podem mudar. Viajar vai te colocar em lugares que te forçarão a pensar em questões muito maiores. Você vai começar a entender que o mundo é, ao mesmo tempo, muito grande e muito pequeno. Você terá mais respeito pela dor e sofrimento, visto que dois terços da humanidade lutam para simplesmente garantir uma refeição a cada dia.
Enquanto você ainda é jovem, ganhe cultura. Conheça o mundo e as pessoas maravilhosas que nele vivem. O mundo é um lugar deslumbrante, cheio de obras de arte. Veja.
Você não vai ser sempre jovem. E a vida não será sempre apenas sobre você. Então, viaje, jovem. Experimente o mundo. Torne-se uma pessoa de cultura, aventura e compaixão. Enquanto você ainda pode.
Não desperdice esse tempo. Você nunca vai tê-lo novamente. Você tem uma oportunidade crucial para investir na próxima temporada de sua vida. Tudo o que você semear, colherá. Os hábitos que formamos nessa fase, ficarão com você para o resto de sua vida. Então, escolha sabiamente esses hábitos.
E se você não é tão jovem como gostaria (alguns de nós), viaje mesmo assim. Pode não ser fácil ou prático, mas vale a pena. Viajar permite que você se sinta mais ligado aos seus companheiros, aos seres humanos, de uma forma profunda e duradoura. Em outras palavras, viajar te torna mais humano.
Isso é o que as viagens fizeram por mim.”


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